País da verdade de cada um.



Ontem na aula de Didática a professora falou que antes da ditadura vivíamos em um país de verdades universais, e que no pós ditadura viramos um país de verdades de cada um. Realmente, hoje o que mais importa pra cada um é estar certo e a opinião do outro que se dane [o outro não sou eu mesmo...]!

As ‘Verdades’ pessoais se tornam verdades universais quando assim interresam, passando por cima de tudo e todos. Nesse passar por cima de tudo muita coisa, coisas que realmente importam, acabam atropeladas por isso. A cada nova verdade que surge frente a tantas outras só gera mais conflito... e de conflito em conflito se vive hoje.

Essa necessidade das pessoas de sempre estarem certas independentes da situação me irrita. Ninguém abre mão do seu direito de estar certo (mesmo estando errado). Verdades se tornam mentiras e mentiras verdades. E quem perde por isso? Nós mesmos e que nos cerca! Não acho que se tenha o que ganhar impondo sua verdade sobre os outros, outorgando sua opinião e menosprezando a pessoa do seu lado.

O Brasil é um dos países que mais tem leis, e pra que elas servem? Criarem uma sociedade mais justa e igualitária? Não meu caro, pra ajudar as pessoas a impor suas próprias verdades legalmente. Processos e mais processos são criados pra satisfazer os caprichos das pessoas de estarem certas [e pra elas se sentirem recompensadas financeiramente por tal! Afinal, nada é mais importante hoje em dia que dinheiro, não é?].

Ok, vou então agir com reciprocidade a esse mundo! Imporei minhas verdades, que por serem minhas e beneficiarem a mim são as melhores verdades existentes, e mostrarei ao mundo o quão cego ele é! Umas amizades perdidas, olhares frios e pessoas falsas ao meu redor é um preço baixo a se pagar por isso... Afinal, estou certa, não? E ai de quem tentar sobrepujar minha verdade, será humilhado e reduzido a categoria de nada. Legal viver assim, né? Cria-se sua própria verdade para se convencer alguém, passasse a acreditar nessa verdade fervorosamente e a partir daí surgem brigas e discussões desnecessárias, que um simples ‘Me desculpe, eu errei!’ evitaria.

Admitir o erro é difícil... muito difícil! Quem o faz pra mim é digno de admiração, pena que são poucas pessoas. O ser humano é passivo ao erro, mas se esquece... Prefere viver pela filosofia do ‘errar não é humano, depende de quem erra’. O próprio erro nunca é admito, ele vira uma verdade frente ao outro... o verbo se tornou ‘eu NÃO erro, tu erras, ele erra...’. Erros que tendem a se transformar em verdades, e de tal gerarem o caos em que vivemos.

Acho que sou uma pessoa perdida nesse mundo de hoje, uma que ainda vive naquela das verdades universais, sabe? Quem sabe me encontro por aí um dia... Quem sabe esse mundo muda, ou mudo eu...

sexta-feira, 30 de maio de 2008

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