Mundo estranho...



Às vezes acho que não fui feita e educada para este mundo. Tanta coisa parece tão estranha pra mim, não me acostumo com as coisas tão comuns pra outros. Convivo com tudo desde sempre, mas internalizar os valores dessa sociedade é algo que não fiz e nem pretendo. Valores dessa sociedade não, a falta desses! Já se foi o tempo em que haviam valores a serem seguidos e todos viviam bem assim e o mundo era um lugar melhor.

Não sei, mas não me encaixo... Vejo tanta libertinagem, egoísmo, falsidade, egocentrismo, incompreensão entre outros que isso acaba por me deixar com um pé atrás. Me sinto algumas vezes como aquela mocinha da novela das 6 que de repente caiu no século XXI e tenta entender e sobreviver a tudo aqui. Não devia ser assim, ou devia?

Pessoas que não são mais de ninguém, violência gratuita, desconsideração pelo próximo, extermínio do essencial a vida, casamentos que se fazem e se desfazem sem mais nem menos, amizades que são apenas relações de interesse, confiança em outras pessoas que não existe mais, famílias que vivem em guerra, desejo incessante de se viver cada dia sem se importar com o que há de vir, total desrespeito por tudo e todos, liberdade sexual exacerbada, a inocência que não existe mais... Seriam esses os ingredientes essenciais para uma sociedade se manter?

Assim não parece que a humanidade vai muito longe, vejo um fim próximo se tudo continuar assim. Mas quem sou eu pra falar algo? Não sou perfeita, nesse circo de horrores que vivemos também contribuo, infelizmente! Dói ver o quanto isso tudo é tão real e próximo, muito mais do que se pode imaginar... Sinta apenas, e verá!

Quem sabe um dia isso tudo muda, quem sabe as pessoas voltem a confiar umas nas outras, amigos sejam amigos mesmo, o romantismo volte a existir sufocando um pouco esse sexualismo, pais e mães voltem a ser figuras de respeito e pessoas respeitadas, o medo de sair de casa passe a ser mera lembrança de um pesadelo distante, e haja novamente um lugar pras pessoas inocentes e sonhadoras por aqui... Ainda acredito numa Utopia!

Só sei que enquanto isso tudo não muda eu tento ir levando como dá...

domingo, 29 de junho de 2008

Estranho como as coisas são.



É estranho como as coisas são. Você espera que algo seja de uma certa forma e não é, se sente frustrado por isso e chateado por ter que seguir uma outra opção que não era a que você queria mas que no final das contas acabou sendo uma experiência que você levará consigo como boa. Foi exatamente isso que aconteceu comigo!

Entrei na universidade particular que estou com um sentimento de obrigação e frustração, pois eu havia tentado uma universidade publica e não havia conseguido (mas não desisti de tentar). No início, admito, sentia muita raiva e tristeza de ir para lá pois não era nem o curso muito menos a universidade que eu queria (quem estudou comigo no Normal sabe o que eu pensava de lá!). Eu era aquela menina emburrada e calada que entrava e saia da van e da sala sem muito falar e com um certo sentimento de revolta.

Conforme o tempo foi passando conheci ótimas pessoas, tive alguns excelentes professores e tinha aprendido a gostar de lá, e até do curso também. Eis que um certo dia do 3° período enquanto checava a lista de reclassificação de uma universidade Federal vi que tinha conseguido... Eu tinha finalmente conseguido e iria fazer o curso que tanto gostaria.

No inicio aquela euforia (com direito a lágrimas de felicidade) depois veio a tristeza e a preocupação. Tristeza pois quando aprendi a gostar de lá tive que sair. A preocupação é por conta do curso que ainda tenho que concluir.

Daí vejo o quanto algumas pessoas realmente acreditam em nós ou não. Quando comento sobre meus planos algumas pessoas realmente acreditam que conseguirei, vejo não só por suas palavras, mas elas demonstram isso no olhar. Outros desejam votos de boa sorte mas transmitem os votos de boa sorte, mas dizem com o olhar que não conseguirei.

Pra falar a verdade as pessoas que me desacreditam são justamente as que menos significaram pra mim nesse ano e meio que estou lá. Quem em mim acredita (e sempre acreditou, mesmo que eu não soubesse) farão falta. Com certeza levarei o que aprendi com eles.

Esse ano e meio me mostrou uma coisa: as coisas podem não ser como você queria, mas não deixe que isso te abata! Faça dessa uma experiência que valerá a pena, que com certeza valerá. Pode ser que não seja o que você realmente quer, mas com certeza você aprenderá muito e, por mais que você ache que não, deixará saudades.

Mais um ano e meio me espera, não com as mesmas pessoas, não com as mesmas correrias mas tenho o apoio de todos que preciso, de resto, o tempo dirá!

quarta-feira, 25 de junho de 2008

professorALHO é o CARinha!!




É isso mesmo!!!


Nada contra a quem chama carinhosamente o(a) professor(a) de tal forma, mas debochar não! Deboche já é uma coisa chata, agora debochar do professor é prova de ignorancia total!

O professor é muito maltratado hoje pro papel tão importante que ele desemprenha. [Você não estaria lendo isso se tivesse um professor que te ensinou tal!]
é certo que muitos professores não merecem respeito, enquanto profissionais são péssimos, e vêem a educação apenas como seu ganha pão [o aluno que se dane, quero o meu no fim do mês!]. Mas há também os profissionais honrados, que estão alí porquê acreditam no que fazem e o fazem por gostar!
esses merecem respeito, e muito!

Ser professor não é nem um pouco fácil, mas é gratificante. Transmitir, auxiliar e guiar a aprendizagem das novas gerações é uma responsabilidade grande, tão grande que existe um profissional pra tal. Um profissional desvalorizado e desmotivado pela sociedade que deveria apoiá-lo e que sobrevive por seus ideais, por mais que estes estejam a beira da morte.

Agora, esse papel do professor não funciona sem a ajuda da família, pelo menos no começo da escolaridade. Mas acontece que o trabalho do professor é solitário. Solidão que o bom profissional não deixa nunca transparecer a seus alunos orque ele é guerreiro, forte e determinado. Faça chuva ou faça sol, com alunos interessados ou não, com condiçoes de trabalho ou não ele está em sua sala de aula, pronto a mais um dia na sua tentativa de construção de um novo amanha!

Bom profissional... é, esses sim marcam! Vai dizer que você nunca teve um professor maravilhoso que te marcou e mostrou tudo pela ótica que você ignorava, que mudou seu ser?? Nooossa... só de lembrar me dá saudades da escola! [rs] Analize por estes profissionais: a educação, sobretudo o professor, não merece mais respeito por parte de todos e de mais investimento??

Decidi ser professora, entre outros, porque queria ser esse tipo de professor, o que muda o aluno, o que mostra a ele outras possibilidades, outras alternativas e chances de ele pensar, questionar, interferir e ser o que quiser. É a minha maneira de tentar mudar o mundo! rs

O professor pode ser de um tudo, de doutor a maluco... mas professorALHO é o CARinha!!

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Pequenos feitos.



Em uma bela noite de quarta-feira, véspera de provas finais, ao sair de uma aula para enfrentar o longo congestionamento na xérox da faculdade, eis que encontro um matemático amigo meu (super atrasado) tentando imprimir seu trabalho, que deveria ser apresentado enquanto ele estava ali. Esperamos na fila para resolver nossos assunto até que chega a vez dele.

Em uma xérox lotada de universitários preocupados com suas xeroxes e provas ninguém notou dois menininhos pequenos e tímidos que lá tentavam entrar, a não ser eu e meu amigo. Eu nada fiz, desliguei-me deles, mas meu amigo fez algo simples e ‘banal’, mas que ninguém ali se prontificou a fazer e que me chamou muito a atenção: perguntou aos meninos o que eles queriam ali (duas folhas de almaço apenas) e pediu por eles! Ele sabia que com a xérox lotada como estava, aqueles dois meninos não seriam atendidos tão cedo. Com certeza os meninos saíram dali muito mais aliviados e felizes.

Realmente é um ato simples, sem muita importância por assim dizer... talvez nem ele tenha reparado direito o que fez, deve tê-lo feito inconscientemente, mas aquele pequeno ato pra mim foi digno de admiração! (sim, admiração mesmo). Todo mundo vive correndo de um lado pra outro, vendo apenas a si e a si próprio... virou rotina.

Agora vamos imaginar se todos nós, mesmo em meio a tanta correria, parássemos as vezes pra fazer tais ‘atos sem muita importância’, o que aconteceria? Talvez tais atos fossem passados a diante, como uma espécie de corrente (ou não) de gentilezas (afinal, como dizia o Profeta, ‘Gentileza gera Gentileza!’). Bom, mesmo que tal ato apenas o deixe com uma sensação de ‘fiz algo bom à alguém’, que pode ser muito recompensadora, e tenha feito alguém mais feliz já é um grande feito!

Sabe, agente precisa disso. Tentar levar as coisas pelo ‘Gentileza gera Gentileza’, realizar pequenos grandes feitos para alguém, dar um ‘help’ quando preciso (mesmo que você não faça idéia de quem é a pessoa). Isso se perdeu, perceba: muitos preferem viver pra si e pensar nos outros quando assim for cômodo pra si próprio, do que oferecer uma ajuda por mais insignificante que esta possa parecer. Acho que por isso haja tanto ódio por aí... tanta desconsideração com tudo e todos.

Pequenos feitos são sim capazes de grandes coisas! Qual foi seu pequeno feito de hoje?

sexta-feira, 13 de junho de 2008

O som do silêncio...



Já parou pra escutar o som do Silêncio?
Pra uns ele traz paz...
a outros medo...
tem gemte que acha um tédio...
e há que duvide que ele exista.
Agente vive cercado de tanto barulho que acha que o silencio é a única coisa que quer escutar. Eu pensava assim.
Escutei o silêncio, e sabe o que descobri? Descobri que pra mim ele soa como a solidão.
O som que quero ouvir não é o profundo e mortal silencio. quero ouvir uma melodia, um canto, uma onda, uma voz...
Coisas que a mim trazem uma paz que o vazio de silencio nenhum trará.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Não se fazem mais crianças como antigamente.



Tenho ouvido minha linda priminha pedindo um tênis Y pra seus pais, porque em sua escola todos tem menos ela (-“Mãe, é igual ao da Aline. Ela tem, também quero um” e danou a chorar [¬¬’]). Poxa, quando eu quis o tal tênis Y eu trabalhei [um cado, já que o tênis Y não é barato e eu sou uma professora sem carteira assinada.rs] e comprei... Não digo pra ela fazer o mesmo, já que trabalho infantil é crime [ainda]. Lembro de quando eu era criança, o muito que pedia a meus pais era R$ 1 pra comprar um Kinder Ovo, e olhe lá...

As crianças antigamente ficavam todas felizes com suas imitações da Barbie ou dos bonequinhos dos Cavaleiros do Zodíaco, passavam o dia a brincar na rua com os amiguinhos e isso tava ótimo pra eles. Elas não se preocupavam com marcas, novelas [exceto Chiquititas], não se preocupavam com festas pra ir nem com namoradinhos(as). Falo de crianças até uns 11 ou 12 anos, mais que isso hoje em dia já é adulto.

Me impressionei uma vez com a conversa de 2 alunos meus de 11 anos (‘caraca, hoje quase beijei a menina que o P ama’ ‘sério? Que legal! Porque não beijou de uma vez’ ‘porque foi sem querer, mas quase fiz isso. Quero ver quando o P descobrir! Rs’). Me impressionei com aquilo e perguntei se eles já namoravam. A resposta foi: ‘Namorar, namorar não teacher... Agente só fica!’. Não quero nem ver essas crianças com a minha idade. Se aos 11 estão assim, imagine aos 19. O que me espanta é que as vezes acho que sou mais criança que as crianças pras quais dou aula!

E não é assim só com as crianças maiores. Ano passado trabalhava com Educação Infantil, e me assustava com cada coisa que as criancinhas de Pré e CA falavam [e acredite, elas sabem muito bem o que estão falando!]. A inocência das criancinhas foi pras cucuias, elas agora saem da primeira infância diretamente pra adolescência.

A coisa ta feia. Os meninos querem andar como surfistas mirins, e as meninas como a Barbie [o mais Paty possível!], e detalhe as roupas tem que ser das marcas X, Y e Z senão não servem. As crianças mais avançadinhas proclamam em seus MSN’s, Orkuts e apelidos o quanto são ‘gostosas’, ‘perfeitas’, ‘invejadas’... Fora as músicas! Antes uma menina [ou menino também!] ouvia Xuxa ou Eliana aos 10 anos, hoje os ídolos são as Pussycat Dols, Britney, Snoop Dog... e no mais leve, RBD. Elas sabem todas as letras e seus significados, praticam e vivem isso. Pra mim, deprimente!

Acho que eu parei no tempo e não acompanhei as mudanças do mundo, ou o mundo que está fazendo as crianças virarem... Talvez por eu ter vivido uma coisa de cada vez, ter feito coisas de criança quando eu era criança. Só sei que não deveria ser assim. Crianças deveriam ser crianças, adolescentes, adolescentes, e adultos voltarem a ser crianças quando necessário.

segunda-feira, 2 de junho de 2008