E tudo começou por causa de carros essa segunda.

Hoje me deu vontade de escrever de novo. E eu tinha pensado em escrever sobre o Dia Mundial sem Carro, onde curiosamente vi mais carros do que ônibus nas ruas (o que é raro em segundas-feiras da minha vida de sempre me atrasar devido a ônibus lerdos na minha frente). Iria falar do lixo que anda nosso transporte público (principal motivo de eu ter um carro, afinal, além de sempre me atrasar por causa da condução, o estilo de ônibus Need for Speed me fazia passar mal demais), mas as coisas mudam. O inacontecível aconteceu. Minha segunda foi aquela típica segunda de filme ou desenho. Trash.
Errei rua indo pro trabalho, mil crateras maiores que a lua apareceram, esqueci a carteira com todos os documentos em casa e, por fim... Bati o carro. Culpa minha? Talvez um pouco. Deveria arrumar um jeito de ver ou adivinhar que terceirizado da Oi estacionaria no portão da garagem da escola enquanto eu dava ré. Mas eu ainda acho que foi muito mais dele. Ele, muito solícito e boa gente que é, veio com um sorriso besta me perguntar se não o vi e avaliar os estragos no carro da empresa. Depois se aproveitou de um momento de desatenção meu e dos funcionários da escola e picou mula, sem nem fazer o serviço que deveria fazer.
Aposto que ele saiu se sentindo o esperto e vitorioso, e eu, a besta de coração mole, em dúvida se caçava ele, ou se deixava passar para não prejudicar o emprego dele (Afinal meu prejuízo não foi nada exorbitante, e vai que o cara tem uma família pra sustentar. Ou não.). Mas isso tudo me leva a pensar em outra coisa que vem me incomodando a tempos: por que essa moda de se dar bem as custas dos outros e de situações erradas não passa nunca, só piora? (A isso pode-se acrescentar também o fato de eu nunca saber se estou usando o "por que" certo. Isso também me irrita muito.)
O troco errado que não devolve, a trapaceada no amigo, o companheiro traído, as pessoas enganadas... Em tudo as pessoas querem se dar bem. Se a oportunidade surge, eles aproveitam, sem a menor dor na consciência. E o engraçado disso tudo é que quando se aproveitam dela, ela não gosta. Xinga, reclama, clama pelos valores moais e pelas leis. Valeu colegas! Pelo menos sejam coerentes, se vocês se dão bem com uma situação que prejudica ou faz mal aos outros, e estão de boa com isso, o que impede dos outros fazerem o mesmo com vocês?
Por muito tempo fui o tipo de pessoa a que todos procuram quando precisam, mas quando preciso nunca tem ninguém. Não ligo mais. Aprendi a fazer o que eu quero sozinha, e não esperar nada de ninguém, pois não terei. Nem por isso deixo de ajudar a quem me pede quando posso. Gosto de ver os outros bem e felizes, e é por esse mesmo motivo que não gosto de me aproveitar e explorar qualquer um que eu tenha oportunidade. Parto do pressuposto de que se a pessoa faz isso, ela não tem o menor respeito ou consideração com o outro. Não importa quem seja esse outro: desconhecido, amigo, namorado(a), cônjuge, patrão, empregado... Qualquer um. É falta de amor, respeito, caráter, postura,... e a lista continua.
Apesar de não se a pessoa correta que eu gostaria de ser, pode ser que a errada seja eu mesmo. Sendo assim, mais vale trair as escondidas, se aproveitar descarada ou veladamente, roubar e mentir. Só sei que se a errada sou eu, espero continuar cada vez mais errada.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

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