O país depois de domingo.

As eleições passaram. Eu militei, defendi minha causa, e combati as lutas que achei necessárias. Quase morri de ansiedade esperando a liberação da apuração dos votos para presidente, e de desgosto com o resultado para governador. Comemorei o resultado da presidência. Fiquei realmente feliz e aliviada, e me permiti comemorações. Mas quando paro para pensar nisso tudo e o depois sinto um vazio.
Esse vazio eu acho que vem de tudo o que vem acontecendo. Tem muita coisa para se mudar no governo sim, mas cada vez mais tem coisas para se mudar nas pessoas. Tão fechadas. Tão cheias de si. Tão cegas, seja pelo ódio, seja por não quererem aceitar outros pontos de vista. Isso vai acabar trazendo problemas muito em breve.
Eu prefiro tentar ignorar isso, mas esse incômodo continua, e eu não sei o que fazer. Não sei como ajudar aos outros, nem como me ajudar. Fica difícil fazer algo por quem não quer ajuda. Então com o proceder com o rumo que a atual sociedade toma? Deixar explodir a Terceira Guerra Mundial, ou tentar fazer crescer os caminhos da paz, por mais que eu acabe falando ao vento?
Está difícil de saber.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Petralha, com muito orgulho, e peço apenas seu respeito.

Publiquei isso no meu facebook, mas achei relevante publicar aqui também:

Ao longo da semana vi mais de um amigo de Facebook (ou amigo mesmo) desabafando sobre a "perseguição" que sofre por votar e defender seu voto em Dilma. Decidi fazer o mesmo pois isto já é algo que me incomoda há muito tempo. Quem me conhece de outros tempo sabe como sou com política, em especial nas eleições quando acredito em um candidato, e nunca tive grandes problemas como venho tendo este ano. Não que não houvessem desavenças, mas este ano a postura de ódio ou de incômodo por minhas palavras por parte de alguns excedeu os limites. Já fui ridicularizada e minimizada, e até hostilizada mais de uma vez, tanto por colegas de trabalho, quanto por amigos.
Hoje vi um amigo reclamando sobre a postura de seus alunos com eles, e nisso, por sorte minha, não tenho do que me preocupar, pois quando falo sobre política ou justifico o motivo do meu voto para meus alunos é um dos raros momentos que eles fazem silêncio e se interessam no que falo (coisa que não fazem nem na chamada, muito menos quando estou tentando explicar a matéria). Na contramão, alguns colegas de trabalho e amigos não levam o que falo em consideração, ou pior, nem respeitam minha opinião e ideologia, me respondendo as vezes de maneira muito agressiva. Alguns amigos em redes sociais reagem a isso de maneira menos agressiva, preferindo parar de seguir minhas atualizações para ignorar o que digo ou penso. Apesar de me chatear um pouco, é "compreensível". O que realmente é difícil de entender são pessoas que chegam de maneira grosseira ou rude, respondendo a mim e a minhas preferências políticas de maneira agressiva, desnecessária. 
É difícil de entender, sobretudo quando são pessoas mais próximas a você do que meros colegas de trabalho. Eu discordo de quem tem uma opinião divergente e apoia o Aécio, e por várias vezes já discuti na internet ou pessoalmente, mas sempre mantendo o limite da civilidade, e buscando entender que para além da política eu tenho uma vivência com a pessoa, e isso que é o mais importante. Até mesmo com os que são meros amigos de internet, pouco conhecidos, tento respeitar, preferindo parar de responder a discussão se percebo que são sairá boa coisa dali. As pessoas tomaram raiva da política que veem pela TV, e querem descontar esta raiva em qualquer um que seja politizado ou se interesse por isso, sobretudo se esta pessoa for pró Dilma ou petista.
Meus colegas de trabalho eu também não entendo. Passam o ano reclamando de baixos salários, da meritocracia e da desvalorização, e apoiam um candidato como Aécio, que provou que é justamente o que lutamos contra. E não adianta saber que não sabiam. Lembro de uma greve do Rio que coincidiu com uma de Minas, e me lembro de como todos odiavam o governador Aécio até aqui no Rio, e de como ele havia sido péssimo para a educação de lá, e de como os professores de lá perderam feio a greve. Mas esses meus colegas que defendem esse candidato tem memória curta e seletiva, e se lembram apenas do lado ""bom"" que a mídia mostra dele.
É difícil, e as vezes dá vontade de desistir de tudo o que acredito e levar uma vida miserável sem meus ideais. mas ainda não chegou esse dia. Então, se você não gosta que falem de política, não gosta de petistas, não gosta de esquerdistas, e não quer nada disso em sua timeline, desfaça sua amizade comigo no Facebook, e quando estivermos juntos, não converse de política comigo. Sou esquerdista, sou simpatizante do PT, sou professora, e sigo na luta enquanto puder.

Eu escolhi petralhar por um modelo de país que acho que está dando certo.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Blablablas e mimimis

Eu comecei a me interessar por política desde cedo. Minha mãe nunca foi o tipo de mulher de gostar de ficar vendo programa de dona de casa, ou novelas. As conversas dela dentro de casa sempre foram politizadas, e eu cresci acostumada com isso. Com o tempo descobri que não era assim em todas as casas, e que as pessoas preferiam ver programas de comédia vulgar e barata, ou novelas, a perder meia hora que fosse ouvindo o telejornal ou lendo um jornal. Quando criança eu escutava meus pais conversando, e as vezes reproduzia isso em meu cotidiano, com coleguinhas, brincadeiras ou desenhos (Lembro-me de um que era o FHC com um nariz de Pinóquio nadando em muito dinheiro, rs). Na minha adolescência mantive a postura, e, principalmente em época de eleição, conversava muito sobre isso, e militava para os candidatos que meus pais votariam, defendendo com unhas e dentes. No Ensino Médio, estudando Sociologia e Filosofia descobri que minhas ideias políticas eram de esquerda, e gostei disso. Achei uma coisa bem certa, afinal visa ajudar mais a quem tem menos, e ajudar menos a quem tem mais, algo que eu já tinha visto na Igreja, e que me foi ensinado que era o certo. Aprendi sobre esquerda e direita, modelos políticos, ideologias, e pude moldar um pouco mais meu pensamento, que foi se definindo cada vez mais, sobretudo com a universidade, onde podia, enfim, discutir com outras pessoas sobre isso livremente e militar a favor de minhas causas.
Depois que saí do âmbito universitário, me lembrei do que sabia quando criança e esqueci: as pessoas não se informam sobre política. Passeia viver em outros círculos, ter outros amigos, conviver com outras pessoas. Mas nunca é uma vivência completa pois, normalmente não me interesso muito por humor barato, ou novela, ou futebol, ou sair por aí me embebedando e pegando qualquer um. E da mesma forma, meus amigos e afins não se interessam por política e outros assunto que me interessam. Não se interessar é até gentil, alguns tem verdadeiro asco da temática. Não sou bem vinda  ou vista quando toco no assunto. Hoje, inclusive, fui ofendida por isso.
Sei que as vezes exagero, sobretudo quando o assunto é defender meu candidato, mas eu não consigo entender como as pessoas podem não ter um mínio de interesse por algo que influencia a vida deles diretamente. Deixam ao Deus dará e depois reclamam de como a coisa está. Como você pode reclamar de algo que você não dá a mínima? Eu ão entende, e não falo muito quando estou perto de pessoas que eu gosto, pois eu tenho que escolher manter as amizades e algo de paciência comigo, ou falar o que penso, o que eu acredito.
É chato ser a chata do grupo, mas é isso que eu sou.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014